Os dias com Rubens Guerra na feitura de Palmas - O Início. Memórias de um construtor

Malu Longo relembra como, a convite do colunista Arthur Rezende Filho, se tornou a autora escolhida por Rubens Guerra, aos 91 anos, para registrar os dois primeiros anos de Palmas. Dos áudios e anotações do próprio engenheiro nasceu "Palmas - O Início. Memórias de um construtor", um livro de paz e amor sobre a construção da capital tocantinense.

Malu Longo

10/2/20263 min read

Eu sempre soube da existência do engenheiro Rubens Vieira Guerra.

Ele começou nas hostes públicas goianas ainda no início dos anos de 1960 quando eu era muito nova.

Depois, quando cheguei a Goiânia para estudar, ele estava à frente da prefeitura, uma passagem relâmpago indicado pelo governador Leonino Caiado, naqueles anos duros quando a vontade popular não era manifestada no voto.

O nome Rubens Guerra está no DNA de grandes obras de Goiás porque ele atuou na Superintendência de Planejamento.

Comandou a estruturação da Saneago; a construção do Centro Administrativo, hoje Palácio Pedro Ludovico Teixeira; o Estádio Serra Dourada; e o Parque Agropecuário de Goiânia de Goiânia, com a cara que ainda tem hoje. Para citar somente algumas.

Ao lado da mulher Márcia Rochael, era figura frequente nas páginas de jornais, não só pelas obras públicas, mas também pela movimentação na sociedade quando o colunismo social estava no auge.

Tornou-se compadre de Arthur Rezende Filho, um dos mais proeminentes colunistas de Goiás.

Foi Arthur, um ex-colega de jornal e meu amigo pessoal, quem me levou a Rubens Guerra, com quem nunca tinha conversado.

Ele não me conhecia e tinha dúvidas sobre o que eu era capaz de fazer.

Entendi sua insegurança, tanto pela idade - já estava com 91 anos -, quanto pelo desconhecimento da minha atuação.

Ele já tinha publicado dois livros de memórias, envolvendo as vidas pessoal e pública.

Foram obras que ele escreveu à mão e alguém colocou no papel sem muito cuidado, sem edição temporal e às vezes com pensamentos repetitivos.

Ele me falou que no novo livro gostaria de falar sobre os dois primeiros anos de Palmas, quando esteve à frente da construção da capital tocantinense.

Expliquei que a obra não seria como as anteriores, precisaria de uma atenção maior.

Ele já tinha feito anotações, mais de 50 itens que considerava relevantes.

Também tinha gravado dezenas de áudios temendo que sua memória o traísse.

Aproveitei tudo e fui além, instigando suas lembranças, futricando nas imagens guardadas e questionando sobre os personagens que iam aparecendo.

Foi enriquecedor porque me levou para um tempo que não vivi, mas ele, como construtor, estava lá, ao de Siqueira Campos com quem dividiu casa nos anos iniciais de Palmas.

Quando me apresentei, ele foi taxativo: “Quero um livro de paz e amor.”

Não queria expor mágoas que frutificaram naquele tempo.

Nos bastidores me contou muitos episódios que guardei, respeitando sua vontade.

Fui buscando informações do cotidiano, das dificuldades enfrentadas naquele período de sol escaldante e poeira abundante. Houve também muitas alegrias, me garantiu.

Foram meses de convivência, de conversas longas, de cafezinhos, de questionamentos, de cutucões de ambos os lados.

Eram vívidas as lembranças e quando um pormenor não batia depois das minhas pesquisas, ele concordava.

Só não concordou com o uso de uma foto atual em seu perfil na orelha do livro, imagem cuidadosamente planejada pelo fotógrafo Fábio Lima.

“Vou usar uma antiga. Nesta estou muito feio.”

Não teve argumentos que o convencesse do contrário.

Foi assim que surgiu Palmas - O Início. Memórias de um construtor.

Um livro ilustrado e com fonte maior para que seus contemporâneos possam ler sem atropelos.

Rubens Guerra começou a distribuí-lo aos amigos, aos familiares e às pessoas que estavam ao lado dele quando Palmas deixou de ser um campo de Cerrado para se transformar na promissora capital tocantinense.

O Tocantins nasceu a partir da Constituição de 1988.

Sua instalação oficial ocorreu no primeiro dia de 1989. Rubens Guerra chegou lá, a convite do governador Siqueira Campos, dois meses depois.

Lá se vão 37 anos.

O engenheiro e ex-prefeito de Goiânia completou 92 anos em setembro com uma memória invejável.

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