Caí de paraquedas num grupo de mães de crianças

Por engano, a autora é adicionada a um grupo de WhatsApp de mães de crianças pequenas e, da confusão, nasce uma reflexão sobre maternidade, redes de apoio entre mães e o valor insubstituível dos encontros presenciais em tempos de tela.

Malu Longo

8/12/20262 min read

Já aconteceu com você? De repente meu celular não para de dar sinal. Vou checar e me deparo com uma situação inusitada. Fui adicionada a um grupo de mães de crianças pequenas, algumas bebês.

Como jornalista, sei que esses grupos são uma riquíssima fonte de informações quando o assunto é maternidade, doenças pediátricas ou mesmo educação infantil. Nesse caso, está mais relacionado à segunda opção, porque as crianças frequentam a mesma escola.

Faz muito tempo, mas muito tempo mesmo que essa possibilidade ficou no passado. Meu único filho já ultrapassou a barreira dos 40 e, confesso, tenho dificuldade para entender a maternidade dos dias atuais, mesmo que as sutilezas sejam únicas e atravessem gerações.

Acho graça. Fico rindo sozinha. Há muito tempo não falo com a mãe que me adicionou. Nem sabia que ela tinha se tornado mãe. A minha relação com ela sempre foi de admiração pela pesquisadora acadêmica que se tornou. E, exatamente por isso, foi minha fonte durante um período, quando estava no jornal onde atuei por décadas. Nunca me atinei que um dia ela poderia se dedicar à maternidade com todos os cuidados, afazeres e prazeres que ela traz.

Fiquei olhando aquele grupo e pensando: será que aviso? Vou avisar, sim, mas antes decidi escrever esse texto para explanar sobre a minha surpresa e do meu encantamento que me fez voltar décadas. Quando meu filho era recém-nascido me tornei próxima de mães do meu prédio. Todas desciam para o banho de sol. As conversas eram únicas e sempre voltadas para o bem-estar das crianças.

Agora, no grupo, vejo a mãe da Manuela, da Ana Luísa, do João, da Aurora, do Pedro, da Maju e de outros filhos, mas não passam de dez. A administradora está empenhada em localizar todas para um “encontrinho”.

Ainda bem que em tempos digitais a conversa pode se estender para o presencial. Não tem formato melhor para desenvolver afetos, renovar relações e descobrir pontos comuns.

Descobri que há uma Malu no grupo, mãe de uma das crianças e, acredito, tenha sido essa a razão do equívoco, o motivo de eu cair de paraquedas nessa turma.

Sei que são inúmeros os grupos de mães por aí, mas o fato de ser adicionada a este me aguçou a curiosidade e a vontade de escrever sobre ele.

Me desculpem a intromissão, mãezinhas, mas amei ser inserida involuntariamente neste grupo. De cá fica a torcida para que vocês realmente encontrem tempo e valorizem cada momento juntas, sem telas. Troquem impressões, ideias e marquem novos encontros. Nunca irão se arrepender por edificarem essa rede de apoio.

Encontros presenciais ajudam a desenvolver a sociabilidade e a empatia, a construir a identidade e encontrar caminhos lúdicos para edificar a imaginação e a criatividade.

Contato

Fale comigo pelo e-mail ou WhatsApp.

E-mail

WhatsApp

malujornalista@gmail.com

(62) 99912 3894

© 2026 Malu Longo — histórias bem escritas

instagram

@malujornalista

Site parceiro: